terça-feira, 28 de julho de 2009

Lixo e dejetos com preços especiais

Comercializamos durante toda a vida vários tipos de produtos, como arroz, feijão e outros utensílios necessários à nossa sobrevivência. Numa palestra que assisti essa semana com o presidente do IPEA, Marcio Pochmann, percebi uma coisa, daquelas que nosso pouco desenvolvido intelecto só consegue perceber com a ajuda de outro cérebro muito mais pensante do que o seu. Ele me fez perceber que estamos na sociedade do conhecimento, em que o comércio está cada vez mais voltado para a produção intelectual.

A fase industrial ficou para trás e estamos entrando na sociedade pós-industrial. Então, tudo pode ser comercializado, desde computadores, livros, música, filmes. A indústria do entretenimento cresce mais a cada dia. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado cinematográfico é um dos que mais cresce no país, segundo matéria da revista Veja.

No Brasil, a produção musical também é muito recorrente. Não é à toa que todo dia surge um novo ser de duas cabeças, mais conhecido como dupla sertaneja. Estou até pensando em montar uma dupla dessas. Se é para ganhar dinheiro com rimas, porque não? Mas não é esse o foco do texto. Antes de dormir, e até mesmo no meio da minha noite de sono, é o período do dia em que mais penso nas coisas.

E em uma dessas fases pensativas fui lembrar logo do lixo que a Inglaterra exportou para o Brasil. Quando éramos crianças, conseguíamos vender figurinhas repetidas daqueles álbuns de desenhos animados famosíssimos na época (tipo Cavaleiros dos Zodíacos, Dragon Ball etc.), fazíamos o dever de casa para um amigo e ganhávamos um real ou dois. Mas ganhar dinheiro com lixo é uma coisa nova para mim.

O que acontece é que uma empresa da Inglaterra enviaria para o Brasil lixo reciclável, como plástico e papel. Só que aí eles pensaram: "ahhh, vamos enviar mais um pouquinho. Que problema tem nisso. Lá no Brasil eles já cultuam até nosso lixo cultural (Spice Girls, Westlife etc.). Qual o problema de receberem um pouquinho de papel higiênico sujo, umas seringas. Problema nenhum". Quem garante que o Brasil já não recebia esse lixo há muitos anos atrás e isso foi descoberto só agora? Concluímos que o Brasil é o depósito dos países desenvolvidos. É a lixeira da Inglaterra. É para onde vem o papel higiênico que limpou os restos estomacais do príncipe William e de toda a família real. Bom isso, né não? A falta de fiscalização brasileira em relação ao meio ambiente, o desmatamento da Amazônia são questões duramente criticadas por autoridades internacionais. E com razão. Mas a hipocrisia reina em todo esse imbróglio ambiental.

Os países desenvolvidos, por exemplo, têm o direito de comprar dos países considerados pobres "cotas de poluição". Com o Protocolo de Kyoto, cada nação adquiriu o direito de emitir determinada quantia de poluentes atmosféricos, afim de reduzir o conhecido aquecimento global. Os Estados Unidos, que é um país desenvolvido e, portanto, mais propenso a poluir, compram essas cotas ambientais compulsivamente e podem aumentar a fabricação e exportação de automóveis.
O abismo da desigualdade tende a aumentar cada vez mais. Países ricos poluem e produzem lixo de forma gradativa e quem está no hemisfério Sul está cada vez mais rodeado por seringas, camisinhas, chorume, fraldas e lixos hospitalares. E não adianta falar: "ah, se for meu, não tem problema". Nossos irmãozinhos, que moram no lixão, podem estar cobertos de papel higiênico internacional. Que chique, hein?


Mando abaixo um vídeo de uma música linda que ouvi esses dias. Não quero ser hipócrita (vou sempre falar nisso, pois eu odeio), mas foi a primeira música do Belchior que eu ouvi. Essas pessoas que querem ser as cultas musicalmente do dia pra noite me deixam nervoso. Mas é realmente uma música muito legal e um clipe que mostra todo o sofrimento de quem mora em aterros e lixões. Não tem muito a ver com o assunto acima, mas prestem atenção na letra! Espero que gostem.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pergunta idiota tolerância zero!

Sabe aquela pergunta desagradável, que você tenta desviar e mudar de assunto, mas a pessoa insiste em fazer? Lhe vem um porrilhão de coisas na cabeça, e nem sempre você tem coragem de colocar tudo em palavras. Pois é. Rodrigo Amarante, um dos líderes da banda Los Hermanos, fez isso com um jornalista que insistia em perguntar: "Te incomoda a banda ser sempre lembrada pela música Ana Júlia?". Eu, assim como ele, também acho que essa é uma pergunta vazia, mas vamos lá. Não sei se vocês já assistiram esse vídeo, mas dêem suas opiniões.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O que é ser jornalista?

Hey, hey, hey. Mais um papo furado daqueles! Vamos conversar sobre a mais atual polêmica no meio jornalístico. Ela se chama jornalistas sem diploma. Acho que a discussão é muito válida. Quem terminou agora a faculdade e gastou mais de cinco anos sentado num banco de faculdade não deve estar muito feliz com a decisão do STF. Ao mesmo tempo, jornalismo é multidisciplinar e exige conhecimento sobre várias áreas, que vão de política a futebol. E ninguém encontra tudo isso na faculdade.

Criticar e dizer que é um absurdo a decisão tomada pelo Gilmar Mendes e que ele é um louco é observar apenas um lado da moeda.
Ingressar em um curso superior não é garantia de preparação ampla e completa para o mercado. Ainda mais quando nessas faculdades existem alunos (que eu já vi aos montes) que não se interessam por nada e estão ali gastando seu precioso tempo, pois nem atitude de jornalistas têm. No final da aula, dizem: "odeio a aula desse professor. Ele passa livros pra gente ler. Porque ele não prepara uma aula mais dinâmica?". Em algumas ocasiões, um ou outro professor exibe um filme mais difícil de se entender e que exige atenção redobrada dos alunos, e esses comentam: "nossa, que filme chato. Dormi a aula inteira". Se o cara não se interessa em ler um livro para a faculdade, o que ele está fazendo ali? Se está numa aula de Jornalismo Investigativo, por exemplo, e o professor passa um filme sobre o caso Watergate, o que mais ele queria? Uma comédia romântica para assistir durante a aula?

A crítica não é sobre o direito de quem se formou reclamar da decisão. É um direito legítimo e justo. Mas é um pouco de hipocrisia o indivíduo colocar de quatro a cinco frases por semana no msn ou no orkut criticando o Gilmar Mendes, se apresentando como o jornalista preparado e graduado, e três dessas frases apresentarem erros graves de português. Isso é básico para um foca que ficou quase metade de uma década elaborando pautas e redigindo matérias. Jornalista preparado e com curso superior só acrescenta qualidade ao jornalismo diário, mas é notável a quantidade de pessoas despreparadas que sai todos os anos das milhares de faculdades espalhadas pelo Brasil.

sábado, 27 de junho de 2009

A morte que ressuscita

Esta é a primeira vez que posto no blog Vamo prosear, que foi uma idéia minha para ocupar meu vasto tempo livre. E coincidiu com a morte de Michael Jackson, o rei do Pop. Bacana. Um bom acontecimento para iniciar o nosso dedo de prosa. Não sou um grande fã dele, mas a gente acaba procurando saber e ler sobre a morte do cara, já que é o assunto que mais rende conversa no momento.
O que me motivou a falar sobre a morte do cantor-dançarino-ator foi uma matéria do G1 sobre um grupo de detentos das Filipinas que gravou um vídeo em homenagem a Jackson. Todos vestidos de macacões laranja, os detentos dão um novo ritmo à músicas como "I'll be there", "Ben" e "We are the world". Tudo muito bem ensaiado. Uma boa iniciativa. A iniciativa tem como objetivo afastar os detentos das drogas e da corrupção. Confiram. Acho que vão gostar. .

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